• Dois Pontos: Una!

Dez formas de contribuir para a erradicação da pobreza que você pode aplicar em seus projetos.

Não é atoa que o primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável é a erradicação da pobreza, em todas as suas formas e em todos os lugares. Garantir uma vida digna a todos os seres humanos do planeta é essencial para vislumbrar um futuro sustentável para todos e todas. Infelizmente o Brasil regrediu no índice da pobreza e da extrema pobreza de 2014 até aqui. Voltamos aos índices de 2009 e 2005 respectivamente, como aponta os dados compartilhados pelo Relatório Luz 2018, feito pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030*.


Quem são os pobres? Onde eles estão? Como vivem? As perguntas podem parecer um tanto óbvias quando falamos de países como o Brasil, em que a pobreza é muito exposta. Mas, ao contrário do que se possa imaginar, medi-la não é tarefa trivial. Muitos são os estudiosos que se debruçam sobre o tema e muitos foram os índices criados até hoje.¹


Para falar sobre pobreza é essencial pensarmos em suas várias dimensões. Bajoit realizou em 2006 um levantamento sobre algumas vertentes sociológicas acerca da pobreza. Segundo ele, existem basicamente quatro formas de entender a pobreza: (1) a visão liberal, (2) a visão estrutural marxista, (3) a visão do capital social e (4) a visão da desafiliação.


Em síntese, na visão liberal adota-se o pressuposto que todos os seres humanos são detentores das mesmas oportunidades e que caberá a cada um a responsabilidade integral por seu sucesso pessoal. Neste caso defende-se uma não intervenção do Estado, pois, segundo as teorias do economista Adam Smith, uma mão invisível, marcada pela liberdade de mercado, iria solucionar as mazelas da humanidade.

Já na visão estrutural marxistas adota-se o pressuposto de que a desigualdade e a pobreza são frutos do sistema capitalista que explora os mais pobres e vulneráveis, sendo a história da humanidade a própria história da luta de classes.


A terceira visão, baseada na noção de capital social, vê o pobre como dependente, sem autonomia. O pobre seria aquele com pouco capital social. Neste sentido, Kliksberg (2001, p. 116) define capital social como “O grau de confiança existente entre os atores sociais de uma sociedade, as normas de comportamento cívico praticadas e o nível de associatividade que a caracteriza.”.

Por fim, na visão baseada na noção de desafiliação, o pobre é considerado o indivíduo que se encontra isolado, atomizado. De acordo com Paugam (1999), a pobreza é apreendida na atualidade como um processo de desvalorização e desqualificação social².


Aqui evocamos a todxs a pensarmos por uma lógica mais altruísta e humana. Já é um entendimento mundial que todas as forças e poderes deveriam estar unidos em prol da erradicação da pobreza, em todas as suas dimensões. Todas as pessoas deveriam ter seus direitos básicos garantidos, entre eles: o de ser, o de criar, o de acessar o conhecimento e de constituir uma vida digna, com acesso à saúde, à água potável, a transporte de qualidade e a tantas outras necessidades essenciais para o exercício da vida e, por consequência da cidadania.


No Brasil, enfrentar a extrema pobreza e a pobreza (Meta 1.1) passa obrigatoriamente por enfrentar as desigualdades – raciais e étnicas, de gênero e regionais, entre outras – que se abrigam em diversas modalidades da pobreza. Até 2014, o Brasil foi exitoso e atingiu antecipadamente o Objetivo do Desenvolvimento do Milênio. Hoje, porém, demonstra-se preocupação com a piora nesses índices e com as principais pautas defendidas na agenda política nacional que tendem a fragilizar ainda mais a vida das pessoas em situação de vulnerabilidade social.



Nós, enquanto iniciativas de impacto social, atuamos sempre na direção do bem coletivo. Nosso trabalho de convencimento sobre a importância da melhoria da qualidade de vida para todos e todas é constante. Mas, de forma prática, o que podemos fazer hoje para contribuir com a erradicação da pobreza? Abaixo elencamos algumas sugestões de práticas para serem aplicadas em projetos diversos:


1) Atuar com equipes multidisciplinares e diversas. Garantir a diversidade e a representatividade dentro de grupos de trabalhos é garantir o direito de voz e à atenção às pautas de pessoas em situação de vulnerabilidade social ou de realidades diversas das nossas;

2) Atuar com programas de democratização de acesso. Expandir a atuação para comunidades periféricas ou criar programas completos que possam garantir o acesso das pessoas que residem em lugares mais distantes ou que são rotineiramente excluídas das ações sociais;

3) Criar programas de acessibilidade que promovam a autonomia da pessoa com deficiência em diversos lugares e contextos;

4) Priorizar a contratação de empresas de pequeno e médio porte, estimulando as que possuem atuação em rede e estão comprometidas com o alcance das metas mundiais de desenvolvimento sustentável;

5) Praticar valores de cachês e salários condizentes com o mercado;

6) Criar programas que possam promover a constante profissionalização dos ecossistemas produtivos;

7) Estimular o engajamento e a participação das nossas redes em ações de políticas públicas como: fóruns, audiências, consultas públicas e outras instâncias de pactuação com o poder público;

8) Fortalecer as pessoas que fazem parte de nossas redes e que atuam com causas ou projetos sociais;

9) Criar parcerias com outras instituições, empresas e programas para otimizar os recursos investidos dentro de cada projeto, gerando possibilidades de novas ações e ampliação dos acessos/atendimentos;

10) Analisar os contextos socioeconômicos das comunidades que serão beneficiadas pelos projetos e priorizar aquelas em que se identifica maior carência por projetos culturais e socioambientais (descentralização).

Nós, da Dois Pontos: Una! desejamos energia e força para todas as pessoas, iniciativas, gestões, programas e projetos que, assim como nós, acreditam em um futuro com maior igualdade e desenvolvimento sustentável para todo o mundo, sem exceções!


ODS 1 - Erradicar a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.


--

Fontes e referências:


¹ Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 007 . Ano 4 . Edição 30 - 11/1/2007, Por Lia Vasconcelos, de Brasília, disponível em http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=1132:reportagens-materias&Itemid=39


² Parte deste parágrafo resultou de consulta ao artigo 'Desenvolvimento Social e as Dimensões da Pobreza (2009)', de Fabrício Fontes de Andrade e Carlos Roberto Pereira Dias. Para conhecer mais sobre as quatro dimensões da pobreza citadas acesse o artigo na íntegra, disponível em https://www.redalyc.org/html/752/75214490005/


*Relatório Luz (2018), do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, disponível em http://bit.ly/RelatorioLuz_Agenda2030.