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#OPontoÉ | Domocratização de Acesso

Atualizado: 10 de Jun de 2019

Democratizar: tornar popular; colocar ao alcance do povo, da maioria da população


Assim, a democratização de acesso é um conceito comumente visto em projetos de diversos setores: educacionais, culturais, de impacto social, socioambientais e outros. Principalmente quando o projeto prevê o desenvolvimento de atividades ou serviços voltados a toda a população e possui o interesse de atingir o máximo de pessoas possíveis.


Em síntese, podemos dizer que democratização de acesso é criar formas para que o máximo de pessoas acesse determinado bem ou serviço, considerando diversos fatores como: classe socioeconômica, geográfica, dinâmica da cidade ou comunidade em que o projeto será desenvolvido e outros.


Neste assunto especificamente podemos nos aprofundar em diversas reflexões, mas abordaremos aqui três pontos centrais: (1) as barreiras impeditivas de acesso comumente presentes nas cidades; (2) pontos que as produções de projetos devem refletir sobre para estruturar uma estratégia de democratização de acesso; e (3) sentimento de pertencimento, perspectiva que pode orientar outras reflexões sobre o tema.


Vamos começar falando dos impeditivos que levam uma pessoa a não conseguir acessar determinado bem ou serviço. Para isso, vamos partir de um exemplo concreto: Vamos considerar um projeto que será desenvolvido no centro de uma cidade, em um equipamento cultural que tem como premissa atender toda a população daquela localidade. Neste caso, podemos ter em vista que o caráter do projeto já é aberto e amplo. Porém pensar em medidas de democratização de acesso vai além de considerar o caráter deste equipamento cultural. Algumas medidas podem potencializar o acesso de pessoas que residam em áreas periféricas, por exemplo. Para isso, sugerimos algumas reflexões: 


O local de realização do evento é abastecido pela rede de transporte público? Possui horários e linhas que permitam o acesso de todas a cidade?

A divulgação da ação foi realizada em canais e meios de divulgação amplos?

Chegou ao máximo de pessoas possíveis ou ficou estrito a canais “oficiais” e centrais?

Quais os valores dos ingressos? Existe distribuição gratuita? Qual política de distribuição?

O espaço é regularmente frequentado por qual público? Atinge uma diversidade significativa de pessoas ou é comumente frequentado por um recorte de público único, em situação socioeconômica similar ou de uma mesma área geográfica?

A partir dessa análise: 


Qual é o público-alvo da ação? 

Que medidas irão garantir o acesso por parte de populações mais periférica às ações do projeto, considerando o resultado da análise do item nº 4, elencado anteriormente?

Que ações o projeto pode desenvolver ou quais parcerias podem ser estabelecidas para ampliar a diversidade do público do projeto?

Após essas perguntas básicas, podemos levar em conta as seguintes estratégias básicas que podem ser aplicadas em diversos projetos e situações: 


Destinação de ingressos gratuitos à populações específicas. Neste sentido, no caso de projetos e eventos que preveem a venda de ingressos, destinar parte deles para distribuição gratuita amplia o alcance do projeto para pessoas que não tenham condições de pagar o valor do ticket. Para essa distribuição é possível utilizar diversos parâmetros e estratégias comumente já estabelecidas nas cidades: a) identificar o público por meio de cadastros sociais como, por exemplo, o Cadastro Único utilizado pelas Secretarias de Assistência Social, b) público atendido por programas sociais, c) IdJovem, também utilizado em programas assistenciais, d) públicos de afinidade do projeto atendido por programas municipais ou independentes em diversas comunidades da cidade; 


Mapear ou prever transporte público que garanta o acesso da população. Analisar se o espaço de desenvolvimento da ação é atendido pela rede pública de transporte e quais são as linhas e horários que abastecem o local. Essa informação é importante para facilitar o contato de populações periféricas. Outra alternativa muito interessante é prever um transporte específico do próprio projeto que passe por pontos-chaves que podem auxiliar no acesso ao projeto por parte de um determinado público; 



Descentralização das ações, optando pela criação de ações específicas em comunidades periféricas ou espaços não-convencionais. Levando a ação até públicos que não teriam total condição de acessa-la em um espaço central, por exemplo. 


Execução de uma estratégia de comunicação ampla, que transcenda os veículos formais de comunicação e que chegue ao máximo de pessoas possíveis, convidando-as para participar da ação.


Sentimento de pertencimento

Sentir-se parte de algo é fruto de uma análise subjetiva porém essencial. É o que nos motiva a participar de ações, eventos, movimentos, etc. É o que nos motiva a estar em grupos. Nosso sentimento de pertencimento é estruturado a partir do momento em que compartilharmos valores e signos. Esse compartilhamento que nos identifica como parte de uma coletividade. Nesse aspecto é importante analisarmos quais signos permeiam o projeto em questão e se ele permite o contato com diferentes públicos. Muitas vezes equipamentos culturais centrais, embora de caráter público e que tenham como missão abranger toda a diversidade de uma cidade ficam, estritos aos públicos geograficamente próximos ou a uma rede de públicos pré-estabelecida. Isso gera um distanciamento da periferia e de novos públicos, por exemplo. Então para a criação deste sentimento é necessário quebrar barreiras atitudinais, criando formas de comunicar e proporcionar um abraço do projeto/equipamento a todas as pessoas. Ao mesmo tempo em que é importante descentralizar ações para comunidades específicas também é importante trazer a periferia para o centro da cidade e vive-versa. Proporcionar o transito oposto também é uma alternativa criativa, gerando protagonismo à periferia e dando condições para que ela participe ativamente do desenvolvimento da cidade como um todo. Mais do que estar em um lugar em comum com outros, sentir-se parte é poder participar ativamente da construção dos signos compartilhados que criam - de fato - um ambiente propício para o bem-estar geral. Consideramos essa reflexão importante para que a democratização de acesso não fique estrita à descentralização de ações que, dependendo da forma que é executada, pode criar mais uma sensação de segregação do que inclusão. E incluir é permitir que todas as pessoas, juntas, formem um único coletivo, sem distinções, quebrando preconceitos e mudando paradigmas.



Esperamos que esse texto possa contribuir para a reflexão sobre a democratização de acesso e que possamos construir, cada vez mais, cidades com todxs e para todxs.

O próximo assunto do O PONTO É falará sobre acessibilidade e trataremos sobre os direitos das pessoas com deficiência no acesso aos bens e serviços de projetos e à cidade como um todo. Acompanhe com a gente!


O PONTO É é um conjunto de postagens da Dois Pontos: Una! com o objetivo de explicar de forma descomplicada termos comumente utilizados no setor criativo, nas políticas públicas e em projetos de impacto social.